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SETE DESCULPAS ESPACIAIS


"Depois de tantos conceitos criados sobre a eficiência estrutural norte-americana, uma tragédia, que tempos atrás deixou de ser inédita voltou a se repetir. Outrora motivo de orgulho para a Aeronáutica yankee: a NASA não é mais a mesma! Penso nisso, talvez, como pura e simples falta de concorrência num Capitalismo agonizante, hoje em dia sustentado através de guerras estapafúrdias. A confiança americana pede arrego."

 



Rio de Janeiro, 01 de fevereiro de 2003

Duas vezes no mesmo céu

por Marco Aurélio Monteiro

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Central da NASA

Não obstante ter no curriculum os percalços do acidente da Chalenger em 1986, novamente a mais famosa agência espacial do mundo sofre sua segunda baixa estrondosa, repercutida, ainda mais pela falta de credibilidade americana no cenário político-econômico mundial.

Quem ainda tem conceitos sobre a eficiência yankee em matéria de tecnologia, certamente, deve imaginar a hipótese de terrorismo no acidente ocorrido com o Ônibus Espacial Columbia no início da tarde de hoje - por volta de meio dia, horário de Brasília - sobre o espaço aéreo do Texas.

Mas as informações, divulgadas pela NASA, testemunham o contrário numa clara mea culpa pouco honrosa sob o aspecto técnico no que teria originado a quebra da estrutura aerodinâmica do Columbia. O termo americano usado para o acidente: um Break up.

O ônibus estava à 6.300m da superfície, fazendo a reentrada numa velocidade de aproximadamente 19.000km/h - seis vezes a velocidade do som - com aterrisagem prevista para 12:16h (Brasília) quando perdeu contato pelo rádio com o centro de operações da NASA. Naquele momento, embora a mesma NASA não tenha admitido uma explosão, habitantes da região declararam ter ouvido um estrondo seguido de um tremor de terra. Procurando a causa, os mesmos avistaram no céu uma imenso rastro de fumaça branca desmenbrada. Eram o que ainda sobrava do Columbia em processo de desintegração. Dezeseis minutos sem contato bastaram para dar como perdida a espaçonave pela base.

Normalmente existem falhas na comunicação devido à interferências atmosféricas entre o piloto e a base. Isso é considerado normal. A dúvida de Cabo Canaveral é se no interregno da perda de contato não ocorreu uma decisão precipitada do piloto em manter o curso perfeito da aeronave, que tendo seu centro de gravidade mudado, poderia se desfazer no céu. É uma hipótese. Porém dificilmente será esclarecida devido à completa desintegração do Columbia e da respectiva "caixa preta".

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O Columbia em pedaços

Outra causa provável. O tipo de aeronave pivô do acidente possui, obrigatoriamente, um revestimento especial de cerâmica, que atua como isolante térmico, para amenizar o forte atrito sofrido no transbordo para a atmosfera terrestre. Qualquer falha nesse isolamento poderia provocar o super aquecimento da fuselagem e a consequente desintegração da mesma, causando, obviamente a morte da tripulação.

Um erro de cálculo. Uma probabilidade desmedida teria causado a morte dos sete tripulantes do Columbia no que se refere à esse isolamento necessário?

Ainda em solo, foi identificado o desprendimento de uma das placas de cerâmica especial de uma das asas da espaçonave, precisamente onde está armazenado o combustível. O problema - ou a falha no equipamento - não foi considerado como grave pelos técnicos da NASA, muito pelo contrário, senão a decolagem não teria sido autorizada.

O descaso com o defeito teria fundamento no histórico de outros "descolamentos" em lançamentos de outras naves espaciais americanas sem maiores consequências para a estrutura e principalmente para a tripulação. Coisas semelhantes já aconteceram antes sem nenhuma baixa.

Embora fosse uma peça antiga na frota espacial a manutenção de toda a frota tem por padrão o intervalo de cinco anos. Em miúdos, significa dizer que à cada cinco anos tem-se uma nova epaçonave, posto que sequer o foguete é aproveitado; uma nova fuselagem é incorporada só aproveitando-se a estrutura da mesma. Isso nos leva a concluir que, definitivamente, não foi a idade que derrubou o Columbia.

A última missão espacial do Columbia - a mais antiga espaçonave americana em atividade voando em missões por 22 anos - durou 16 dias de trabalho, nos quais foram realizadas experiências bio-médicas sobre o fenômeno da micro gravidade em insetos e observação científica de fenômenos meteorológicos, relativos, principalmente aos desmatamentos na Amazônia. Segundo a agência espacial a missão foi bem sucedida fora da atmosfera.

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Coronel Ilan Ramon

O cunho meramente científico da missão só é questionado pela presença de Ilan Ramon, 48 anos - Coronel da Força Aérea de Israel e primeiro israelita astronauta da história - considerado herói nacional por ter bombardeado uma usina nuclear iraquiana, supeita de fabricar bombas, numa missão em 1981. Daí vem a hipótese de terrorismo.

Afinal de contas o que fazia um militar estrangeiro de vulto numa missão científica americana? Ou melhor: o que fazia um militar israelense numa missão espacial americana em tempos de pilhagem do Iraque?

Todo um aparato além do script foi montado para o embarque do Coronel israelense no Columbia, exatamente levando-se em consideração sua reputação e procedência. A hipótese de atentado só ainda não foi descartada devido à esse tripulante em especial, mesmo porque alvejar uma nave, através de mísseis, naquela altitude é altamente improvável.

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Destroços do Columbia

O estado de emergência foi decretado pela NASA e o FBI foi convocado para participar das buscas do material e dos restos do Columbia, pois ainda existem riscos de contaminação devido à natureza biológica da pesquisa.

Existiria um possível risco de espionagem militar embutido nos destroços?

Talvez ninguém seja capaz de responder todas as dúvidas no momento, mas, pelo menos, o Presidente americano vui-se obrigado a interromper seu final de semana de férias para acompanhar de perto o incidente e prestar condolências às famílias dos sete astronautas mortos no Texas.

Talvez assim ele tenha algo mais importante com que se preocupar antes de retomar seus planos de saquear o Iraque.

Marco é pós-graduado em Relações Internacionais e Tributação, Advogado, Consultor jurídico na área de Propriedade Intelectual, e dono do domínio www.voxlebon.com.



 


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