"Para
muitos o advento da INTERNET foi uma Revolução cultural,
econômica e até politica se pensarmos, inclusive, na existência
da nossa página por tanto tempo nesse espaço. Interatividade
é a palavra! Mas o que dizer de uma rede permanente de monitoramento
que está prestes a virar realidade num futuro muito breve?? Imagine
milhares de pequenos espiões ajudando a transmitir seus dados
sem fio por todo o planeta, interagindo com as Antenas de TV, Rádio
e que poderiam até mesmo pensar sem a interferência humana!!!
Leia e admita que ina INTERNET está prestes a adquirir onisciência!"
A
marcha das Partículas
Anil
Ananthaswamy
Da New Scientist
Peter
Menzel
O
pesquisador Kris Pister sopra uma porção
de ciscos de poeira inteligente
Kris
Pister quer cobrir o mundo da poeira. Sua empresa, a Dust (poeira),
certamente parece estar despachando o produto rapidamente. Empilhadas
do lado de fora do escritório com paredes de vidro, no
setor industrial oeste de Berkeley, Califórnia, caixas
de papelão vazias se encontram prontas para ser enchidas
de "poeira" e enviadas para várias partes do
mundo. Enquanto Pister fala animadamente sobre sua visão,
um funcionário pega uma e Pister salta de entusiasmo:
"Ah, ótimo! Outra caixa deixa a pilha".
A
caixa, é claro, não será enchida com
poeira comum. Esta é uma "poeira inteligente",
um apelido para os minúsculos sensores baratos, móveis
e inteligentes que podem se comunicar uns com os outros, formar
redes autônomas e monitorar quase tudo: as temperaturas
locais, a presença de pessoas, o volume de tráfego,
a extensão dos danos causados por um terremoto ou a
saúde das colônias de aves marinhas. Você
já pode ter ouvido falar dela: a tecnologia já
está sendo considerada como algo que vai mudar a forma
como nosso mundo funciona.
Se
isso vai ocorrer ainda não se sabe, mas a poeria inteligente
pelo menos parece pronta para deixar sua marca. Os "ciscos"
que rolam para fora dos laboratórios de pesquisa da
Universidade da Califórnia, em Berkeley, são
agora tão pequenos quanto um grão de arroz.
Versões futuras em breve poderão descartar baterias,
extraindo energia de seus arredores. Ao espalhá-los
pelo globo, eles poderão estabelecer uma rede de sentinelas
silenciosas, invisíveis, que registrarão e transmitirão
informações sobre seu ambiente.
Alguns
dizem que a poeira inteligente poderá provocar um pesadelo
de vigilância, mas outros insistem que poderá
ajudar a salvar o planeta. Pister tem uma visão mais
ampla. Ele acredita que a tecnologia da poeira inteligente
poderá literalmente ligar em rede toda a Terra, formando
outra camada de infra-estrutura entre a Internet e o mundo
físico. "Eu realmente acredito que isto terá
o mesmo impacto profundo na sociedade que a Internet",
diz ele.
Pister
é professor de Engenharia da Universidade da Califórnia,
em Berkeley, mas está atualmente em licença
para erguer a Dust. Ele pensou pela primeira vez em construir
sensores sem fio em meados dos anos 90. Sua idéia era
a de redes de sensores que poderiam ser espalhados por toda
a parte para coleta de informações, que caso
contrário seriam difíceis de ser recolhidas.
Pister acreditava que tais sensores poderiam ser encolhidos
para apenas um milímetro cúbico e apresentou
sua proposta à Agência de Projetos de Pesquisa
Avançada da Defesa (Darpa), a divisão de pesquisa
do Pentágono. "Eu cunhei a frase 'poeira inteligente'
por brincadeira, porque todos estavam falando de casas inteligentes,
bombas inteligentes e estradas inteligentes", diz Pister.
"'Poeira inteligente' era para ser piada".
Todavia,
a Darpa financiou o projeto e o nome pegou. Juntamente com
David Cutter, um colega de Berkeley, e um punhado de estudantes
de doutorado dedicados, Pister construiu as primeiras unidades
de poeira inteligente -ele também cunhou o termo "mote"
(cisco ou partícula de poeira) para descrevê-las,
que desde então entrou para o jargão de informática
como sensor sem fio. Esses protótipos continham um
microprocessador, rádio bidirecional e um sensor de
luz.
A
geração seguinte de ciscos era significativamente
mais avançada. Eles incluíam uma interface na
qual sensores diferentes, como magnetômetros ou barômetros,
podiam ser acoplados. Com o tempo, isso levou a ciscos menores
e mais poderosos, batizados de Mica, que têm sido fabricados
comercialmente desde outubro de 2001. Pouco maiores do que
uma caixa de fósforos, cada cisco Mica é alimentado
por duas pilhas AA e podem suportar até oito sensores.
Avaliação
imediata de danos
Apesar
do tamanho ainda não justificar o nome de "poeira",
estes ciscos Mica já demonstraram o potencial do conceito.
Por exemplo, Steve Glaser, professor de Engenharia Civil de
Berkeley, mostrou que redes de ciscos podem rapidamente checar
se prédios que sobreviveram a terremotos são
seguros para a entrada de pessoas.
Grandes
prédios e arranha-céus são normalmente
fechados aos seus usuários diários após
um terremoto até a conclusão das vistorias de
segurança. O processo é altamente caro e pode
levar meses. Mas cobrindo cada elemento estrutural-chave do
prédio com ciscos contendo acelerômetros capazes
de sentir vibrações é possível
computar o quanto a estrutura balançou durante o terremoto.
E os sensores poderão calcular a rigidez da estrutura
medindo o quanto estão se movendo relativamente na
direção um do outro, revelando imediatamente
o grau de dano em cada localização. Em um teste
em laboratório com uma estrutura de madeira de três
andares, construída sobre uma plataforma vibratória
que simula terremotos, dois estudantes de doutorado de Berkeley
instalaram em uma tarde cerca de cem ciscos sem fio equipados
com acelerômetros. Esses ciscos transmitiram informações
sobre como o prédio se moveu quando foi sacudido, permitindo
uma avaliação de danos imediata. "Os engenheiros
civis ficaram extáticos", diz Pister.
Se
isso fosse apenas uma questão de construir sensores
minúsculos e fixá-los em toda parte, seria fácil.
Mas a tarefa é consideravelmente mais complicada do
que simplesmente transmitir leituras para que sejam calculadas
por um computador. Por um lado, o computador rapidamente ficaria
sobrecarregado de dados à medida que aumentasse o número
de sensores. Por outro, os ciscos logo ficariam sem bateria
caso transmitissem dados continuamente. A solução
foi criar redes inteligentes de ciscos que pré-processam
os dados e só transmitem a informação
de interesse, como a rigidez de uma estrutura, em vez de transmitirem
dados brutos como as leituras em tempo real do sensor sobre
quanto cada cisco se moveu.
E
é neste ponto que a "poeira inteligente"
realmente fica inteligente. No coração da rede
se encontra um software revolucionário. Cada cisco
tem seu próprio sistema operacional, semelhante ao
programa Windows que roda na maioria dos PCs, ou Unix, que
roda na maioria dos servidores de Internet. Mas graças
a um trabalho de desenvolvimento habilidoso, o sistema operacional
da poeira inteligente roda em microprocessadores que necessitam
de muito pouca memória. Enquanto a versão mais
recente do Windows usa mais de 100 megabytes de memória,
o sistema operacional da smart dust roda com 8 quilobytes.
"Nós pensamos em chamá-lo de 'Wee-nix'
ou 'Wee-ndows' (wee significa pequenino), mas cabeças
mais sensatas prevaleceram e nós o chamamos de TinyOS",
diz Pister.
Divulgação
Protótipo
de um cisco de poeira inteligente
O
TinyOS, que atualmente conta com uma grande comunidade de "open
source" (software livre e código fonte aberto) dando
continuidade ao seu desenvolvimento, é o que torna realidade
o sonho da smart dust. Parte do trabalho do sistema operacional
é administrar eficientemente seus recursos de hardware.
No cisco, isso significa vários sensores ligados a ele,
o link de rádio para outros ciscos e energia de alimentação.
O TinyOS precisa fazer isso ao mesmo tempo em que consome o
mínimo de energia possível -afinal, um cisco com
baterias descarregadas não é melhor do que, bem,
poeira.
O
software realiza isso "dormindo" durante grande
parte do tempo. Enquanto dorme, todo o hardware -exceto os
sensores- ficam em stand by. O TinyOS acorda, digamos, uma
vez por segundo e gasta cerca de 50 microssegundos coletando
dados dos sensores, e outros 10 milissegundos trocando dados
com os ciscos vizinhos. "Do ponto de vista humano, você
obtém uma resposta basicamente em tempo real, porém
os ciscos estão dormentes em 99% do tempo", diz
o pesquisador.
Rede
de múltiplos níveis
Para
aumentar ainda mais o tempo de vida da bateria, o TinyOS usa
"multi-hop networking" (o uso de muitos pontos intermediários
de processamento). Imagine centenas de ciscos espalhados por
hectares de terra, todos monitorando a umidade do solo. Em
vez de fazer com que cada cisco se comunique com uma estação
base (um laptop, por exemplo), apenas aqueles mais próximos
da estação base o fazem. Os ciscos de "primeiro
nível" então se comunicam com outros ciscos
ao seu alcance, formando um segundo nível, e assim
por diante, até que uma rede de múltiplos níveis
seja estabelecida. Todos os ciscos conhecem o melhor caminho
pela rede para se comunicar com os ciscos do primeiro nível,
o que permite que qualquer cisco envie uma mensagem para a
estação-base usando um número mínimo
de ligações.
A
estrutura de multi-hop networking estabelecida pelos ciscos
pode mudar em caso de haver alteração da força
dos links de rádio entre os ciscos, com links mais
fortes tendo preferência sobre os mais fracos. Se um
cisco deixar de funcionar, os outros reconfiguram a rede para
se desviarem dele, e um novo cisco pode entrar facilmente
na rede, com todos os demais se reconfigurando ao redor dele.
Isto
também faz com que os transmissores de rádio
dos ciscos possam ter um alcance extremamente curto -apenas
poderosos o suficiente para alcançarem os ciscos mais
próximos a dezenas de metros de distância. Isto
difere dos telefones celulares, que às vezes precisam
enviar sinais a vários quilômetros de distância
para alcançarem uma estação-base. "Se
você cortar o alcance da transmissão pela metade,
você pode cortar a necessidade de energia em um quarto",
diz Jason Hill, que desenvolveu o TinyOS como um projeto de
mestrado com Culler e Pister. "Nós estamos dizendo,
não corte (o alcance) pela metade, corte em um fator
de cem".
Toda
essa atenção obsessiva à economia de
energia se pagou: os ciscos consomem apenas um milésimo
da energia dos dispositivos móveis normais, como os
telefones celulares. "Você tem uma vida útil
de bateria entre 1 e 10 anos, dependendo da aplicação",
diz Pister.
Mas
o TinyOS pode fazer muito mais do que prolongar a vida da
bateria. A complexidade das tarefas que pode suportar, apesar
de seu tamanho pequeno, é exemplificada por uma experiência
intrigante, executada por Pister e seus colegas para os oficiais
da Darpa em uma base militar nos arredores de Twentynine Palms,
Califórnia. Em março de 2001, eles ligaram seis
magnetômetros a seis ciscos, envolveram-nos em espuma
rígida de poliestireno extrudido e carregaram-nos em
um avião robô. O avião, voando ao longo
de uma estrada a uma altura de apenas 50 metros e a 50 quilômetros
por hora, lançou os ciscos um de cada vez, a 20 metros
de distância da estrada. A tarefa deles: monitorar o
movimento dos tanques, jipes humvees e outros veículos
militares na estrada.
Reprodução/New
Scientist
Clique
para ver como as partículas de poeiras, ou ciscos,
funcionam
Assim
que os ciscos atingiram o chão, eles se conectaram um
ao outro, estabeleceram uma rede sem fio e sincronizaram seus
relógios. Toda vez que um veículo passava ele
distorcia o campo magnético da Terra, fato registrado
pelos ciscos. Os ciscos então compararam seus dados,
computaram a direção e a velocidade do veículo,
armazenaram os resultados na memória e voltaram a ficar
de olho nos magnetômetros. Uma hora depois, o avião
robô sobrevoou o local, e os ciscos transmitiram seus
dados para o laptop a bordo. A missão deles foi um sucesso.
No
mês passado em Berkeley, os pesquisadores mostraram
uma versão mais sofisticada da mesma aplicação
aos militares, que pretendem usar a smart dust para monitorar
os movimentos de tropas inimigas. Uma centena de ciscos foi
distribuída dentro de uma grade quadrada, com 18 metros
de lado. Apenas os ciscos nos cantos sabiam sua posição
absoluta. Usando sinalização por ultra-som para
determinar a distância entre os vizinhos imediatos,
e empregando um sofisticado algoritmo distribuído,
os outros ciscos calcularam suas coordenadas -apesar da maioria
não estar em contato direto com aqueles dos cantos.
Membros da platéia então dirigiram um pequeno
veículo por controle remoto dentro do quadrado. Os
ciscos monitoraram o veículo com seus magnetômetros,
calcularam sua posição e transmitiram a informação
para outro veículo autônomo, que então
foi capaz de seguir o veículo por controle remoto -tudo
em tempo real. Foi um feito extraordinário porque os
ciscos tinham que reconfigurar constantemente sua multi-hop
network para manter contato com o veículo autônomo
-essencialmente uma estação-base móvel-
enquanto ele seguia o primeiro veículo.
Tudo
isso é possível devido ao TinyOS. Os mesmos
ciscos poderiam ser facilmente reprogramados para uma tarefa
completamente diferente. E a reprogramação pode
ser feita a distância. Basta simplesmente desenvolver
seu programa em um PC e transmiti-lo ao cisco mais próximo.
O cisco se reprograma sozinho, e então envia as novas
instruções aos outros ciscos. O programa se
espalha por toda a rede, como um vírus, sendo necessários
meros 30 segundos para reprogramar cada cisco, até
eventualmente toda a população de ciscos estar
pronta para realizar a nova tarefa.
Potencial
não-militar
Apesar
do interesse das forças armadas na smart dust, é
o potencial não-militar da tecnologia que deixa Glaser
mais empolgado. Seu mais recente desafio para os ciscos é
ajudar os bombeiros a controlar os incêndios florestais
que são comuns na Califórnia. "O fogo cria
seu próprio clima local, especialmente ventos",
diz Glaser. "Às vezes o fogo volta por trás
dos bombeiros, e eles ficam cercados".
Para
mostrar como a smart dust pode ajudar, Glaser planeja lançar
ciscos de um helicóptero na trilha de um incêndio
florestal. Os ciscos terão uma série de sensores
para medir temperatura, pressão barométrica,
umidade, luz e velocidade do vento. Cada um desses ciscos
também terá um módulo GPS para determinar
sua localização exata no solo. Como na experiência
de Twentynine Palms, os ciscos transmitirão informação
sobre os efeitos do avanço do fogo para um helicóptero
acima. De lá os dados serão transmitidos para
um laboratório central que poderá prever a trilha
das chamas combinando a informação do sensor
com outros dados, como a cobertura de vegetação
e a topografia. A equipe de Glaser começará
a testar a idéia neste verão participando de
incêndios controlados que são realizados rotineiramente
nos parques estaduais da Califórnia. Se funcionar,
a smart dust poderá tornar menos perigoso o combate
aos incêndios florestais no futuro.
Os
ciscos de Pister também estão sendo considerados
para monitorar as condições incomuns dentro
do Monte Yucca, em Nevada, O local foi proposto pelo governo
americano para depósito de lixo nuclear. Joseph Wang,
do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, em Berkeley,
Califórnia, está planejando avaliar quão
bem os ciscos podem monitorar a umidade relativa e a temperatura
dentro dos túneis do Monte Yucca. Teme-se que o calor
do lixo possa elevar a temperatura dentro dos túneis
acima do ponto de ebulição da água, e
o vapor possa espalhar a radiação para fora
dos túneis, de forma que esse tipo de monitoramento
será essencial para a ativação de sistemas
de resfriamento. Se os ciscos forem bem-sucedidos, Wang vê
um grande futuro para eles no Monte Yucca; eles também
poderiam monitorar os níveis de radiação
diretamente, por exemplo.
Greg
W. Lasley
Petrel
na Baía de Monterrey; poeira inteligente ajudará
os biólogos a estudar o sistema de procriação
dessas aves
A
smart dust também já está aparecendo em
outros túneis -dentro dos ninhos de petréis de
Leach na Ilha Great Duck, no litoral do Maine. Os hábitos
dessas aves são difíceis de estudar: elas vêm
até a ilha somente para procriar, chegam apenas à
noite e usam tocas subterrâneas como ninhos, que podem
chegar a dois metros de comprimento. "Grande parte do que
sabemos sobre sua biologia de procriação resulta
de pessoas literalmente enfiando seus braços no buraco
e tateando em busca de penas ou um ovo", diz o biólogo
John Anderson, da College of the Atlantic, em Bar Harbor, Maine.
Abderson está empolgado com os ciscos que ele e seus
colegas colocaram dentro de muitos ninhos. Além de monitorar
temperatura, umidade e pressão, os ciscos também
têm sensores infravermelhos para dizer se há uma
ave no ninho. Não apenas tal monitoração
próxima fornecerá informações sobre
a biologia de reprodução do petrel, mas também
fornecerá uma contagem mais precisa de sua população,
que ajudará os pesquisadores a decidir se a espécie
está ou não ameaçada de extinção.
Anderson
diz que a smart dust já está mudando o estudo
da natureza. No passado, ecologistas de campo tinham que extrapolar
algumas poucas medições ambientais "grosseiras"
-detectores meteorológicos fixos em estações
de pesquisa, por exemplo- ou trabalhar no campo, o que pode
perturbar as espécies que estão sendo estudadas.
De qualquer forma, os resultados provavelmente serão
alterados. Mas com a smart dust, é uma história
diferente. "Os ciscos nos dão dados microambientais
de alta resolução e não precisamos estar
lá para obtê-los", diz Anderson.
E
a influência da smart dust está se espalhando
por todo o globo. Glaser, juntamente com Chik Tanimoto, da
Universidade de Osaka, no Japão, começou a instalar
os ciscos dentro de cavernas em Dunhuang, na China, 1.800
quilômetros a oeste de Pequim. Aqui, pinturas de caverna
budistas de 1.600 anos de idade estão sendo danificadas
pelas águas freáticas salinas, e os ciscos estão
lá para monitorar a umidade e a intensidade da luz.
Os dados ajudarão os conservadores de arte do Museu
Getty, com sede em Los Angeles, a restaurar e preservar as
pinturas -permitindo que decidam como melhor ventilar as cavernas,
por exemplo. "Uma vez por semana, alguém pode
passar pela caverna e coletar os dados", diz Glaser.
"É uma aplicação muito útil,
empregar o que podemos fazer agora".
Esses
ciscos ainda são Micas relativamente grandes, do tamanho
de uma caixa de fósforos, mas para muitas aplicações,
como a monitoração de cavernas ou de prédios
sensíveis a terremotos, o tamanho desses sensores disponíveis
comercialmente está ótimo. "Tamanho é
uma coisa relativa", diz Glaser. "Se for pequeno
demais, e você colocá-lo em um prédio,
nunca mais o encontrará". Mas muito mais aplicações
surgirão agora que a mais recente geração
de ciscos está provando ser mais digna do nome de "poeira".
Para
seu projeto de doutorado, Hill desenvolveu um cisco achatado,
retangular, apelidado de Spec, que mede apenas 2mm x 2,5mm.
Um protótipo do Spec foi construído pela fabricante
de chips National Semiconductor, de Santa Clara, Califórnia,
em março. "Nós demonstramos que definitivamente
é realizável, e o próximo passo é
a comercialização", diz Hill. Apesar desses
ciscos ainda necessitarem de antenas externas e baterias,
a Panasonic está fabricando baterias em escala milimétrica
que poderão realizar o trabalho.
Mas
as baterias em breve serão redundantes: os ciscos miniaturizados
buscarão extrair energia da luz (tanto natural quanto
artificial), dos campos magnéticos que emanam das linhas
de transmissão de energia e até mesmo de vibrações
quase imperceptíveis. Paul Wright, de Berkeley, e seu
estudante de doutorado, Shad Roundy, desenvolveram dispositivos
minúsculos que podem gerar até 200 microwatts
a partir vibrações de baixa intensidade que
são comuns em prédios, bombas de água,
dutos de ar condicionado e mesmo fornos de microondas. As
vibrações de tais fontes são usadas para
mudar a capacitância de dispositivos gravados em silício
ou flexionar tiras de material piezelétrico, em ambos
os casos gerando voltagem útil. "Nós certamente
podemos alimentar nossos ciscos com a fonte de energia vibratória
de Paul", disse Pister
New
Scientist/Reprodução
Os
Spec, ciscos retangulares achatados, medem 2mm x 2,5mm,
e poderão, no futuro, extrair energia da luz
Grande
Irmão
A
smart dust cada vez menor também levanta questões
sobre privacidade. Será esta uma tecnologia Grande
Irmão? Os ciscos Mica já vêm com microfones,
e os pesquisadores estão desenvolvendo câmeras
para eles -apesar das limitações de tamanho
significarem que os ciscos Spec nunca carregarão uma
câmera. As pessoas precisam se preocupar com as questões
de privacidade, diz Deborah Estrin, da Universidade da Califórnia,
em Los Angeles. Ela desenvolve sistemas de software para poeira
inteligente. "É algo que vai exigir atenção
tanto legal quanto regulatória", diz.
Pister
concorda que a poeira inteligente levanta questões
de privacidade que precisam ser tratadas. Mas ele não
concorda com aqueles que temem que o ambiente ficará
poluído de ciscos. Em uma das aplicações
mais drásticas já propostas, por exemplo, os
meteorologistas perguntaram a Pister sobre a disposição
de 10 bilhões de ciscos na atmosfera para monitoração
da mudança das condições de tempo. Mesmo
com tais números imensos, Pister acha que a densidade
de ciscos nunca ameaçará a saúde de ninguém.
"Isto representa um cisco por quilômetro cúbico.
Você teria que caminhar muito, muito tempo antes de
poder se preocupar com a possibilidade inalar um cisco",
diz Pister. "E se você o inalar, não seria
mais desagradável do que inalar um mosquito. Você
o tossiria para fora imediatamente".
Enquanto
prossegue a discussão sobre os riscos da poeira inteligente,
está claro que a tecnologia está pronta para
chegar às ruas. "As possibilidades parecem tremendas",
diz Estrin. "Se você olhar para problemas realmente
críticos do nosso tempo, da poluição
e contaminadores até o entendimento dos indicadores
de mudança global e seu impacto na fragmentação
das florestas tropicais, há uma tremenda oportunidade.
A smart dust pode ser capaz de coletar dados na resolução
espacial apropriada e nos permitir compreender apropriadamente
estes processos complexos pela primeira vez", afirma
Estrin. "Do ponto de vista científico, todos estão
muito empolgados com ela".
E
ninguém está mais empolgado que Pister. Ele
acredita que a tecnologia da smart dust poderá eventualmente
nos ligar ao mundo físico, formando uma tecnologia
tão formidável quanto a Internet. É uma
visão grande, apesar de ligeiramente perturbadora:
espalhada ao redor do mundo, a rede de poeira inteligente
poderia fornecer correntes contínuas de dados sobre
a Terra e seus habitantes, cobrindo de tudo, do fluxo do tráfego
até os buracos na camada de ozônio. "A Internet
conectou pessoas e idéias", diz Pister. "Isto
fará o mesmo em relação ao mundo físico".